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Conversamos sobre desafios,
escrita, literatura LGBT e sobre uma de suas notáveis fics: Love, Rock and
Girls. Confira a entrevista abaixo:
Lescrita (Analu): Que tal "começar pelo começo"? (risos). Qual
foi seu primeiro contato com a escrita, e o que mais lhe chamou a atenção?
Nina Spim: Desde criança eu escrevo. Gostava de escrever
histórias sobre animais falantes, especialmente. Então, descobri o mundo de
Harry Potter e comecei a escrever algumas versões para alguns acontecimentos da
história. Na época, eu não sabia que isso se nomeava "fanfic". Aos
quinze anos, descobri o meu potencial nessa área, devido a uma professora de
Português que elogiava minhas redações. O que mais me chamou atenção, e ainda
me chama, é que o mundo da escrita é infinito. Basta termos criatividade,
imaginação e perspicácia.
Lescrita: E o que seria um bom escritor?
Nina: Difícil saber, pois sou fã de diferentes estilos de
escritores. Mas creio que um bom escritor sempre luta por algo, não faz seu
trabalho por "somente gostar de escrever". Ele tem que saber por que
está escrevendo, tem que ser mais do que um mero escritor que gosta de
palavras.
Lescrita: Quais são os principais desafios que você, como
autora, vem enfrentando?
Nina: Quando coloquei a minha cara no mundo com as minhas fanfics,
há seis anos, eu não tinha nenhum objetivo a não ser publicar minhas histórias
e receber um feedback. Mas, por sorte, amadureci como pessoa, vivenciei
situações inimagináveis (como a morte do meu pai) e aprendi lições valiosas em
filmes, livros e seriados. A partir desse amadurecimento, pude encontrar um
ponto de equilíbrio também no meu lado escritora. Hoje, meu maior objetivo é
inspirar as pessoas. Por isso, um dos desafios que enfrentei, foi encontrar
algo por que lutar. Posso citar que o maior desafio foi, sem dúvida, sair da
minha zona de conforto e me adentrar na literatura LGBT, com as fanfics Faberry.
Hoje, me orgulho por ter feito isso, pois é uma "causa" que apoio e
fico feliz por estar trabalhando em cima disso.
Lescrita: Falando em literatura LGBT, pretende levá-la de suas
fanfics para os livros?
Nina: Totalmente. Tenho um "projeto" já em andamento que
aborda bastante essa temática e o meu intuito é dar mais visibilidade a esses
personagens e criar discussões mais abertas sobre o assunto.
Lescrita: E o preconceito, já sofreu algum por fazer parte dessa
literatura?
Nina: Se já sofri preconceito? Não, porque nunca falei para ninguém que convive comigo pessoalmente que escrevo sobre isso. Isso se deve ao fato de, majoritariamente, eu expressar essa literatura nas fanfics e ninguém do meu círculo de amizades gosta/entende fanfics. Na verdade, é justamente o contrário. Sinto uma enorme liberdade por escrever sobre essa temática, porque o feedback é muito positivo.
Nina: Se já sofri preconceito? Não, porque nunca falei para ninguém que convive comigo pessoalmente que escrevo sobre isso. Isso se deve ao fato de, majoritariamente, eu expressar essa literatura nas fanfics e ninguém do meu círculo de amizades gosta/entende fanfics. Na verdade, é justamente o contrário. Sinto uma enorme liberdade por escrever sobre essa temática, porque o feedback é muito positivo.
Lescrita: Descontraindo um pouco, explique para nossos leitores –
nem todos leem fanfics – por que usar personagens existentes e o que mais lhe
agrada nas fics?
Nina: Eu agradeço demais por ter conhecido as fanfics. Penso que eu
não seria escritora se não fosse a partir delas. O que mais me agrada é
justamente brincar com uma história pré-escrita, pois as possibilidades são
infinitas. E você sempre pode quebrar todas as regras de enredo, shippers,
mundos etc. O grande prazer de se escrever fanfics é utilizar os personagens,
pois, se você gosta muito de um, é como se ele fosse seu amigo e pode
desenvolvê-lo mais abertamente de acordo com a sua vontade e sua visão dos
acontecimentos.
Lescrita: Como fora mencionado na resenha de Love, Rock and
Girls, sua fic é tocante, terna. E consegue falar de amor muito mais do que as
fics que são destinadas a falarem sobre desde o esboço, a capa e o título. A
proposta da fic seguiu-se até o final? Era de sua intenção desde o início
escrever algo amoroso e tocante? Ou a história "escreveu-se sozinha"
como alguns autores costumam dizer?
Nina: Eu sempre tento mesclar todas as nuances de personalidade das
personagens e, a partir disso, a história se desenrola. Eu adoro romance,
então, o âmago de todas as minhas histórias é esse, independentemente se haverá
cenas "pesadas" ou "suaves". Então, sim, o meu intuito é
sempre deixar evidente o clima amoroso e tocante das histórias, especialmente
porque valorizo demais o relacionamento das personagens e, sem esse clima, acho
que a relação entre elas não poderia ser construída.
Lescrita: Você envolveu músicas em sua história, algo muito
costumeiro por parte dos autores. Para você, qual é a importância de uma música
na trama?
Nina: Bem, eu sou, praticamente, movida à música. E, quando ouço
música, minha inspiração e a minha vontade de escrever somente crescem. A
grande importância é que ela pode ser usada tanto como um "plano de
fundo", como um "personagem" da trama, dependendo da ênfase que
se dá à utilização desse recurso.
Lescrita: É muito comum que as personagens contenham um pouco
do autor. Qual personagem contém um pouco de você, e por quê?
Nina: Então, difícil saber! Acho que todos os meus personagens têm
algo de mim. Com relação à Quinn e à Rachel, é bastante mesclado. Acho que há
muita confusão e indecisão dentro de mim, como há na Rachel. E uma parte mais
"suave" e meio tímida, como há na Quinn.
Fechamos nossa entrevista com o
bloco “Bate-bola jogo rápido”:
Um livro: O Apanhador no Campo de Centeio, J. D. Salinger
Um filme: Intocáveis
Uma frase: “É somente uma faísca, mas é o suficiente para me
fazer continuar.” – Last Hope, do Paramore.
Uma fanfic (bônus*): Já que estamos falando de Faberry, vou citar uma
desse shipp: À Prova de Som (da autora Tenteitudo).
* o bônus depende do assunto tratado na entrevista. Nem sempre aparece.
Nina também está no Facebook
e no Blogger, com Nina é uma.

Awnnnnn <3 Será que posso colocar em palavras toda a minha gratidão por você ter tido a iniciativa de fazer uma entrevista comigo? Acho que não. Sei que muitos autores, provavelmente, não dariam bola para uma entrevista num blog, mas para mim é uma super conquista. Porque, como já diria uma amiga, ser escritor é trabalho de formiga, vai acontecendo pouco a pouco. Adorei responder cada pergunta e adorei a forma inteligente que você abordou todos os assuntos! Fico realmente agradecida por termos iniciado essa amizade e parceria! :D Muito obrigada por todo o apoio, viu? Se não fossem por leitores como você, não teria por que os escritores continuarem.
ResponderExcluirLove, Nina.
http://ninaeuma.blogspot.com/
É um prazer tê-la no blog, e saber que você acatou a ideia de forma tão querida. Estamos começando, e ver a ausência de arrogância e prepotência em você é algo maravilhoso. Não só para o blog, mas também para mim, como pessoa. Agradeço de coração pela conversa, que, a propósito, foi muito agradável. É bom ter essa troca de conhecimentos com o escritor que tanto amamos! E melhor ainda é saber que esse escritor não é, necessariamente, um desses famosos! Você quebra estereótipo por onde passa, e isso é simplesmente INCRÍVEL! Bom, o que me resta agora é continuar com o apoio, porque você merece! Sucesso, Nina!
ExcluirAnalu.
Olá, adorei a entrevista! Conheço a Nina a pouco tempo, mas já posso afirmar com certeza que ela é uma escritora incrível! Não havia entrado no mundo das fics antes de conhecê-la e agora sou fã.
ResponderExcluirUm beijo! ^_^
http://blogfloreando.blogspot.com.br/
Ei, Virgínia! Fico feliz que tenha adorado a entrevista! Sim, também conheço a Nina há pouco tempo, mas não é preciso muitos meses de amizade e ciência para saber que esta é um grande talento. Basta ler as histórias dela! Imagino o quão tenha sido bom ser introduzida no mundo das fics por uma escritora tão dedicada quanto ela!
ExcluirAbraço, Analu!