Não é de hoje que o cinema
brasileiro vem revelando suas maiores e melhores faces. Começou-se pelo drama,
a maioria histórias reais, como Central do Brasil; pelos gêneros biográficos,
exemplo disso é Cazuza e Dois filhos de Francisco; pelo gênero de ação, com
Tropa de Elite; e, finalmente, na comédia, com Loucas para Casar.
O diretor Roberto Santucci parece,
finalmente, começar a jogar com as cartas certas. Não é de hoje que ele joga
uma pitada de drama em seus filmes, como podemos ver em Odeio o Dia dos
Namorados e De Pernas pro Ar. É perceptível que suas comédias não possuem apenas
papel humorístico, mas dessa vez fez seu diferencial. Não foi apenas um dos responsáveis
pelo sucesso das comédias brasileiras nas telonas, mas também conseguiu
retratar a verdadeira realidade com
nobreza. Assistam ao filme e verão que a tal verdadeira
realidade vai muito mais além do que o temperamento de uma mulher que tem o
casamento como sonho de vida.
O elenco é sabiamente encabeçado
por Ingrid Guimarães – uma aposta batida, porém sempre bem-sucedida –, Tatá
Werneck e Suzana Pires. As três formam uma bela bomba para função humorística
do longa, deixando Márcio Garcia, também protagonista, de lado. Embora muitos
tenham torcido o nariz ao ler o nome de Suzana no cartaz, a atriz conseguiu fabricar
sua própria comicidade, sem ao menos fazer força. A impressão que dá é a mesma
que temos ao assistir a um ator revelação, pois é o tipo de atriz que ainda não
chegou naquele Papel – com p maiúsculo mesmo.
A trama gira em torno de Malu
(Ingrid Guimarães), uma mulher que chegou bem à casa dos quarenta. Tem uma boa
vida, um emprego estável e um homem que parece ter vindo dos seus sonhos. Sua
vida seria a mais perfeita de todas se não fosse por um detalhe: até agora não
recebeu um pedido de casamento, embora esteja engatada num longo namoro com
Samuel (Márcio Garcia). E, com o tempo, surgiram algumas dúvidas a respeito da
cumplicidade do namorado, fazendo-a contratar um detetive particular. Descobre
então que divide o cargo de namorada com mais três mulheres: Maria (Tatá
Werneck), a mocinha religiosa e Lúcia (Suzana Pires), uma dançarina de boate. Com
isso, a disputa pelo coração de Samuel começa.
Infelizmente não posso contar o esplêndido
final, o fato responsável pelo longa receber elogios como “trama bem amarrada”
e “notável roteiro”. Contudo, é essencial prestigiar uma das maiores comédias
brasileiras nos cinemas, principalmente aqueles que não são fãs dos “nossos”
filmes, porque este, certamente, cativa a todos – seja de modo crítico, seja de
modo humorístico.
Nota (de 0 à 10): 10

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