segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Crítica: Loucas pra Casar

Não é de hoje que o cinema brasileiro vem revelando suas maiores e melhores faces. Começou-se pelo drama, a maioria histórias reais, como Central do Brasil; pelos gêneros biográficos, exemplo disso é Cazuza e Dois filhos de Francisco; pelo gênero de ação, com Tropa de Elite; e, finalmente, na comédia, com Loucas para Casar.
O diretor Roberto Santucci parece, finalmente, começar a jogar com as cartas certas. Não é de hoje que ele joga uma pitada de drama em seus filmes, como podemos ver em Odeio o Dia dos Namorados e De Pernas pro Ar. É perceptível que suas comédias não possuem apenas papel humorístico, mas dessa vez fez seu diferencial. Não foi apenas um dos responsáveis pelo sucesso das comédias brasileiras nas telonas, mas também conseguiu retratar a verdadeira realidade com nobreza. Assistam ao filme e verão que a tal verdadeira realidade vai muito mais além do que o temperamento de uma mulher que tem o casamento como sonho de vida.
O elenco é sabiamente encabeçado por Ingrid Guimarães – uma aposta batida, porém sempre bem-sucedida –, Tatá Werneck e Suzana Pires. As três formam uma bela bomba para função humorística do longa, deixando Márcio Garcia, também protagonista, de lado. Embora muitos tenham torcido o nariz ao ler o nome de Suzana no cartaz, a atriz conseguiu fabricar sua própria comicidade, sem ao menos fazer força. A impressão que dá é a mesma que temos ao assistir a um ator revelação, pois é o tipo de atriz que ainda não chegou naquele Papel – com p maiúsculo mesmo.
A trama gira em torno de Malu (Ingrid Guimarães), uma mulher que chegou bem à casa dos quarenta. Tem uma boa vida, um emprego estável e um homem que parece ter vindo dos seus sonhos. Sua vida seria a mais perfeita de todas se não fosse por um detalhe: até agora não recebeu um pedido de casamento, embora esteja engatada num longo namoro com Samuel (Márcio Garcia). E, com o tempo, surgiram algumas dúvidas a respeito da cumplicidade do namorado, fazendo-a contratar um detetive particular. Descobre então que divide o cargo de namorada com mais três mulheres: Maria (Tatá Werneck), a mocinha religiosa e Lúcia (Suzana Pires), uma dançarina de boate. Com isso, a disputa pelo coração de Samuel começa.
Infelizmente não posso contar o esplêndido final, o fato responsável pelo longa receber elogios como “trama bem amarrada” e “notável roteiro”. Contudo, é essencial prestigiar uma das maiores comédias brasileiras nos cinemas, principalmente aqueles que não são fãs dos “nossos” filmes, porque este, certamente, cativa a todos – seja de modo crítico, seja de modo humorístico.


Nota (de 0 à 10): 10

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