Título: Brilho Desse Olhar
Categoria: Original/Songfic
Autor(a): Mrs. Poe
Mais uma vez venho falar de trabalho nacional. Mais
precisamente, o trabalho original de Mrs. Poe, com Brilho Desse Olhar, uma
songfic baseada na canção Dia Especial, do Tiago Iorc.
A pequena história narra a vida de Pedro, um estudante de
Arquitetura e Urbanismo, e Cláudia, uma garotinha travessa, que carrega
inocentes e afáveis sentimentos pelo rapaz. Acontece que o relacionamento dos
dois, sem maldade alguma, não é bem visto pelos pais de Cláudia. Até que a
menina é forçada a estudar fora, e os dois se veem quebrados pela despedida e
inevitável falta que um faria na vida do outro.
A história abraça o leitor de forma inefável, restando apenas
uma opção: ler. Diferente da maioria, essa songfic consegue um perfeito casamento
entre a música e a trama. É tão sublime quanto a canção do Tiago Iorc, e me
pergunto se os dois conversaram sobre fazer uma história a partir da música.
Assim como tantas sonfics, o clipe é incluído na trama, mas
sem perder o sentido – um pecado que muitos autores acabam cometendo, no auge
da empolgação. E não, a inclusão do clipe, jamais, descredita a autora. A cena
pode não ser inteiramente oriunda de sua imaginação, mas a narração sim. Sua narração
é legítima e pessoal, apoderando-se da ideia de tal modo que, nós, leitores,
nos esquecemos da existência da música.
Sobre o enredo, a promessa de Pedro é uma amarra que não só o
enlaça com Cláudia, mas também o leitor com a trama. E seu relacionamento com a
mãe, empregada na casa da pequena menina, é responsável pela identificação com
boa parte do público – até mesmo aqueles que não têm esse tipo de convívio,
mas, de certa forma, desejam.
Entretanto, sua proposta é audaciosa. Devo dizer que a
evolução da relação de Pedro para com Cláudia é perigosa – mas nunca indevida –,
pois a chance de uma ocorrência da má interpretação é monstruosa, e pode
repelir boa parte dos leitores – estes mais tradicionais. Diante desse ponto, percebe-se que a história
não é para qualquer tipo de leitor, mas, se levada à diante, revela um caráter
transformador. Posso assegurar que você, leitor tradicional, não será mais o
mesmo após a leitura, e será forçado a repensar nas conjecturas que o fizeram
voltar um passo nas primeiras impressões.
Além disso, lendo Brilho Desse Olhar, compreendemos que, quando
se tratada de contar boas histórias, não importa a quantidade de palavras e
capítulos, já que a fic contém apenas dois. Boa história é sempre boa história,
e são poucas as características que as tornam extraordinárias – e tamanho, com
certeza, não é uma delas.
Portanto, Mrs. Poe prova que uma boa história não possui
nacionalidade, e sim essência. Ouso até em dizer que, diante desta, muitos
autores se envergonhariam em pensar que para escrever algo bom precisa-se de um
território estrangeiro. Com sutileza e pureza, ela engrandece a cultura brasileira,
algo, sem dúvidas, necessário para os olhos de nossos leitores – visto que o
preconceito com a leitura nacional é insistente.
Criticamente digo que sua escrita é simples e genuína,
transformando o ordinário em extraordinário, o que me parece ser um recado para
os escritores: vocês não precisam de palavras difíceis, ou de parágrafos
complexos. Vocês só precisam escrever. Amor, dedicação e talento são
respingados neste trabalho.
E finalizo dizendo que, ao gastar meu tempo com a fic, sou
tirada da minha zona de conforto, e Mrs. Poe me apresenta o Brasil, meu país
que tanto desconheço, por conta do estrangeirismo; e me apresenta também uma admirável
forma de contar boas histórias, e de ser marcado por elas.
Nota: 10
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